Grupo protocola nota de repúdio na Justiça contra soltura de empresário e tia de adolescente estuprada em Manaus


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Protetores de crianças e adolescentes pedem que decisão que libertou dupla seja revista. Empresário foi flagrado em motel com vítima de 13 anos, que era agenciada pela tia. Nota de repudio foi entregue por membros de entidades de proteção a crianças e adolescentes Patrick Marques/G1 AM Uma nota de repúdio contra a decisão que soltou o empresário encontrado em um motel com uma adolescente de 13 anos foi protocolada na Justiça do Amazonas nesta sexta-feira (10). A tia da vítima, que havia sido presa suspeita de agenciar a jovem, também foi liberada. O documento assinado por entidades de proteção à crianças e adolescentes pede que a decisão seja revista. Os dois foram presos em flagrante com a menina em um motel no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte de Manaus, na terça-feira (7). A dupla foi liberada em audiência de custódia no dia seguinte. De acordo com a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Amanda Ferreira, a soltura dos suspeitos causou indignação por conta da circunstância em que a prisão ocorreu. "Para nós, é inaceitável a soltura do empresário e da tia da adolescente. Ela assumiu o papel de proteger a jovem, que tinha um histórico de violações de direito. Pela primeira vez no estado, conseguimos prender em flagrante um ato de exploração sexual. O abusador, a agenciadora e a adolescente dentro de um motel e o juiz não levou isto em consideração", disse Ferreira. Ainda conforme Ferreira, há uma grande luta pelo combate ao abuso sexual contra crianças e adolescentes, com campanhas e pedidos de denúncia. Com o caso, foi visto que a denúncia aconteceu, a polícia prendeu os envolvidos, mas eles foram liberados para responder pelo crime em liberdade. "A adolescente não está sendo protegida pela Justiça. Uma tornozeleira não prende ninguém. Estão livres enquanto a jovem está acolhida. Eles estão soltos Quantas outras crianças e adolescentes são agenciados e não é feito nada?! É necessário que a Justiça seja feita, até para que outras crianças se sintam a vontade de denunciar e abusadores não vejam que podem fazer estes crimes, porque serão soltos", comentou. A nota de repúdio foi entregue por Ferreira na sede do TJAM, bairro Aleixo, por volta de 9h30. Amanda Ferreira comentou que a nota pede que a decisão seja revista pela Justiça. A membro do Comitê Estadual de Enfrentamento a Violência Sexual de Crianças e Adolescentes, Eurides Oliveira também participou da entrega e disse que a impunidade é um dos fatores que se sustente o tipo de crime. "A conivência de Instituições que deveriam proteger e não protegem, com certeza, abre margem para outros abusadores e exploradores continuarem com estes atos", lamentou. Entenda o caso O empresário foi flagrado junto com a adolescente, de 13 anos, nesta terça-feira (7) dentro de um motel na Zona Norte da capital. A tia da jovem, apontada pela polícia como responsável por agenciar a menina, estava no local e também foi presa. Durante a abordagem, a adolescente estava enrolada apenas em uma toalha e o empresário usava apenas uma cueca. Segundo a polícia, a tia da menina costumava entrar no motel no banco de passageiro para que a sobrinha não fosse vista e pudesse levantar suspeitas de funcionários dos estabelecimentos. Ela se mantinha escondida no banheiro durante o programa. Tia de vítima e empresários foram presos em Manaus Patrick Marques/G1 AM O homem pagava entre R$ 500 e R$ 1 mil para a tia da jovem. Os abusos começaram neste ano. O Grupo Rede Amazônica teve acesso às imagens do momento da prisão e ao depoimento da vítima. Em um dos trechos, a jovem relata que recebia ameaças de morte da tia, que usava a figura do empresário para lhe intimidar. "Se ela suspeitasse e fosse presa, ela tinha coragem de me matar e que o [empresário] tinha muito dinheiro e podia me matar (...) Ela disse que o [empresário] era muito calculista. Ela disse que tinha coragem, porque ela não ia para cadeia por causa de mim", contou. Liberdade A sentença que liberou os envolvidos foi dada na quarta-feira (8) durante uma audiência de custódia. O magistrado Celso Souza de Paula levou em consideração que o acusado, de 37 anos, não possui antecedentes criminais, têm emprego fixo e residência em Manaus. Ministério Público do Estado do Amazonas informou, nesta quinta-feira (9), que vai recorrer da decisão que soltou provisoriamente o empresário e da tia. Para o MPE, a liberdade dos envolvidos pode "prejudicar o andamento da apuração". Ambos foram liberados para responder pelo crime em liberdade, sob monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica.

Fonte: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2018/08/10/grupo-protocola-nota-de-repudio-na-justica-contra-soltura-de-empresario-e-tia-de-adolescente-estuprada-em-manaus.ghtml